sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DIPLODURA
DITAMACIA

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terça-feira, 5 de maio de 2009

VEIAS ABERTAS
CRISE DO SENTIDO

Na era vitoriana era proibido fazer menção às calças na presença de uma senhorita. Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública:

O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado;

O imperialismo se chama globalização;

As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões;

O oportunismo se chama pragmatismo;

A traição se chama realismo;

Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos;

A expulsão dos meninos pobres do sistema educativo é conhecida pelo nome de deserção escolar;

O direito do patrão de despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral;

A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria;

Em lugar de ditadura militar, se diz processo. As torturas são chamadas de constrangimentos ilegais ou também pressões físicas e psicológicas;

Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões, são cleoptomaníacos;

O saque dos fundos públicos pelos políticos corruptos atende ao nome de enriquecimento ilícito;

Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos motoristas de automóveis;

Em vez de cego, se diz deficiente visual;

Um negro é um homem de cor;

Onde se diz longa e penosa enfermidade, deve-se ler câncer ou AIDS;

Mal súbito significa infarto;

Nunca se diz morte, mas desaparecimento físico;

Tampouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares: os mortos em batalha são baixas e os civis, que nada têm a ver com o peixe e sempre pagam o pato, danos colaterais;

Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: “Não gosto da palavra bomba. Não são bombas. São artefatos que explodem”;

Chama-se Conviver alguns dos bandos assassinos da Colômbia, que agem sob proteção militar;

Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade o maior presídio da ditadura uruguaia;

Chama-se Paz e Justiça o grupo militar que, em 1997, matou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, que rezavam numa igreja do povoado de Acteal, em Chiapas.


POST POST

O carteiro acrescenta:

Exclusão é o nome dado ao exílio social, cujo resgate alguns chamam pragmaticamente de "assistencialismo".

Garoto-propaganda de alcolismo é conhecido como fenômeno.

O texto do mestre Eduardo Galeano, do livro De pernas pro ar, editora L&PM, foi publicado na Carta Maior.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

PALAVRAS DE ORDEM
UMA ODE AO FÓRUM SOCIAL DE BELÉM


O mundo é complicado
Nossa tarefa também

Julgar sem pré-julgar
Demarcar sem excluir
Incluir sem forçar
Somar, fazer bonito
O mundo é infinito

Combater a indiferença
Respeitar a diferença
e o diferente.
Respeitar

Defender a mata sem esquecer o homem
Cultivar a terra sem derrubar a mata
Cultivar o homem

Amparar sem esperar
Esperar sem se iludir
Não desesperar, agir
Não sucumbir
Perseverar

Convencer, conversar
Persuadir sem mentir
Não sofismar,
Argumentar

Gritar abaixo o imperialismo
Viva o povo palestino
Mas ao anti-semitismo dizer não

Aplaudir a bravura
Mas repudiar a bravata
Não usar gravata

Gritar a Amazônia é nossa
Viva o povo brasileiro
Viva a cesta básica e o Prouni
Viva o luz para todos
Em plena floresta amazônica

Gritar abaixo os banqueiros
Que seja a riqueza de todo o povo brasileiro
Abaixo os juros
E a especulação financeira
Fora com o Deus mercado e o Deus dinheiro

Sonhar mas não dormir
Cada amanhecer é um novo dia
O fim de um descanso
Cada pequeno passo um avanço

Conceituar sem preconceitos
Refinar pensamentos
Provocar sem agredir
Polemizar
De vez em quando aplaudir

Perguntar e saber ouvir
Não ouvir sem perguntar
Questionar,
Sempre
Sempre duvidar,
Não simplificar, complicar

Entender é o que interessa
Para poder avançar
Saber, conhecer, decifrar
Interpretar
O saber é infinito
O universo também

O mundo é complicado
Nossa tarefa também

Bernardo Kucinski, janeiro de 2009

POST POST

O carteiro recebeu e entrega aos destinatários. Uma espécie de proporção áurea (ilustração) do outro mundo, o possível, segundo Kucinski.
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O HOMEM DA MALA
A BAGAGEM DE FLÁVIO KOUTZII


Antes de tudo, peço dez culpas (ou mais) aos raros leitores do blogue pelo sumiço. Posso garantir que a ausência de postagens não é abandono ou desistência voluntária. Ao contrário, há momentos na vida em que não é possível escolher o meio de chegar ao fim desejado. Especialmente quando a gente não abre mão dos princípios e do comprometimento com a causa. A não ser quando o dever chama. É o caso.

Flávio Koutzii escreve no RS Urgente:

Há divergências jurídicas.
Há avaliação sobre as motivações e cálculos políticos.
Há os que apenas julgam da conveniência de tocar no assunto.
Há sempre o jogral dos analistas de oportunidade.
(Nunca é hora para eles)

Mas para os que não esqueceram:
Há um grito suspenso no ar.
Há uma dor infinita.
Há um tabu indecente.
Há um seqüestro invisível.
(A honra das Forças Armadas de hoje, reduzida a escudo silencioso, da responsabilidade não assumida das Forças Armadas de ontem no golpe)

É claro que os torturadores têm que ser responsabilizados.
É certo que a anistia não é igual à amnésia.
É evidente que a história não aceita ficar sem sentido, nem com censura, nem com cortes, como um filme proibido.
É certo que não há a mais remota possibilidade de igualar quem lutou contra a ditadura com quem prendeu, torturou e matou pela ditadura.
É certo que esta história tem começo, meio e fim:

e o começo é o golpe de estado,
a derrubada de um governo legal,
a censura aos jornais,
o fechamento dos partidos,
a suspensão do estado de direito,
a perseguição implacável.

As Forças Armadas é quem deram o golpe
(junto com seus aliados civis).
Aqui, a ordem dos fatores altera o produto e o significado.
Eles, a ditadura, nós, a resistência.
Então quem fica ofendido somos nós!
Nós - "os elementos" - cidadãos na nossa opinião, democratas, porque lutamos para restaurá-la.
Espantados, com a covardia dos que não assumem suas responsabilidades

Deram ou não o golpe?
Perseguiram ou não?
Torturaram ou não?
Então, por favor!!!
É inaceitável que as Forças Armadas de hoje fiquem reféns de um passado ditatorial indefensável.
Na verdade, no Brasil, além dos "desaparecidos", há uma grande desaparecida:

A VERDADE HISTÓRICA

História, entendida como reconhecimento dos fatos,
a totalidade das circunstâncias.
A História em tempo real.
A História com muita luz e pouca sombra.
A História para e do povo brasileiro, de todos os brasileiros:
civis e militares.
Tudo, não para o maniqueísmo simplório, mas para respeitar a dignidade e a tragédia de um grande período da história recente do Brasil dos vinte longos anos de chumbo.

Lamentavelmente as Forças Armadas propõem a esquizofrenia como situação permanente.
Não assumem sua responsabilidade.
Desrespeitam o Poder Executivo (legitimado pelo voto).
Atuam como contra-poder.
Logo defendem o que foram.
Logo são hoje o que foram ontem.

Mas isto, não é bem assim.
Isto é uma memória doente.
Verdade amputada.
Simulação inaceitável.
Queremos que os jovens soldados e os jovens oficiais sejam livrados destes grilhões enferrujados.
E se devolvam para este Brasil.
Impressionante de presente
Futuroso.

E haverá que defendê-lo de muitas maneiras:
suas possibilidades,
seu petróleo,
sua Amazônia,
suas fronteiras,
sua economia
e acima de tudo:
sua gente brasileira,
seu futuro,
seu orgulho,
sua história.

POST POST

Na foto roubada emprestada da página do Flávio Koutzii, a verdade histórica transcende a natureza física da mala e aparece como uma cicatriz sem plástica ou silicone. Não há nada que o passado possa fazer para impedir o futuro de acontecer. É tudo uma questão de tempo. É quando, agora ou mais tarde.
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segunda-feira, 7 de abril de 2008

MANIFESTO
MÍDIA LIVRE


O setor da comunicação no Brasil não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo.

A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos.

Não se pode mais aceitar que os movimentos sociais que conquistaram muitos dos nossos avanços democráticos sejam sistematicamente criminalizados, sem condições de defesa, pela quase totalidade dos grupos midiáticos comerciais. E que não tenham condições de informar suas posições com as mesmas possibilidades e com o mesmo alcance à disposição dos que os condenam.

Um Estado democrático precisa assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham expressão pública. E isso não ocorre no Brasil.

Também precisa criar um amplo e diversificado sistema público de comunicação, no sentido de produzido pelo público, para o público, com o público. Tal sistema deve oferecer à sociedade notícias e programação cultural para além da lógica do mercado.

Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de imprensa e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. E ela só se dá quando cidadãos e grupos sociais podem ter condições de expressar idéias e pensamentos de forma livre, e de alcançar de modo equânime toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade.

Para que essa luta democrática se fortaleça, os que assinam este manifesto convidam a todos que defendem a liberdade no acesso e na construção da informação a participarem do 1º Fórum da Mídia Livre, que se realizará na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de maio de 2008. Os que assinam esse manifesto apresentam a seguir algumas propostas, preocupações e idéias, que, entre outras, serão debatidas no Fórum de Mídia Livre.

Nos declaramos a favor de que:

- O Estado atue no sentido de garantir a mais ampla diversidade de veículos informativos, da total liberdade de acesso à informação e do respeito aos princípios da ética no jornalismo e na mídia em geral;

- Realize-se com a maior urgência a Conferência Nacional de Comunicação que discutirá, entre outras coisas, um novo marco regulatório para o setor, com o objetivo de limitar a concentração do mercado e a formação de oligopólios;

- A inclusão digital seja tratada com a prioridade que merece e que o investimento nela possibilite o acesso a canais em banda larga a toda a população, para que isso favoreça redes comunitárias (WiFi) e faixas em espectro livre;

- As verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes;

- O Estado brasileiro atue no sentido de apoiar as iniciativas das rádios comunitárias e não o contrário, como vem acontecendo nos últimos anos;

- O Estado brasileiro considere a possibilidade de a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos atue na área de distribuição de periódicos, criando uma nova alternativa nesse setor;

- O Cade intervenha no atual processo de concentração de distribuição de periódicos impressos, evitando a formação de um oligopólio que possa atingir a liberdade de informação;

- A Universidade dê sua contribuição para a democracia nas comunicações, em seus cursos de graduação e pós-graduação em Comunicação Social, formando profissionais críticos que possam contribuir para a produção e distribuição de informação cidadã;

- A revisão do processo de renovação de concessões públicas de rádio e TVs, já que nos moldes atuais ele não passa por nenhum controle democrático, o que possibilita pressões e negociações distantes dos ideais republicanos, levando à formação de verdadeiras capitanias hereditárias na área;

- A sistematização e divulgação de demonstrativos dos gastos com publicidade realizados pelo Judiciário, pelo Legislativo e pelo Executivo, nas diferentes esferas de governo;

- A definição de linhas de financiamento para o aporte tecnológico e também para a constituição de empreendimentos da mídia livre e sem fins lucrativos com critérios diferentes do que as concedidas à mídia corporativa e comercial; e que isso seja realizado com ampla transparência do montante de recursos, juros e critérios para a obtenção de recursos;

- Que há condições para que o movimento social democrático brasileiro e também os veículos da mídia livre mobilizem recursos e esforços para constituir um portal na internet, um portal capaz de abrigar a diversidade das expressões da cidadania e de garantir a máxima visibilidade às iniciativas já existentes no ciberespaço.

POST POST

O Manifesto da Mídia Livre é resultado da mobilização de saites e blogues independentes e de esquerda contra o monólogo da grande mídia.

Segundo Renato Rovai (clique aqui para ler), "Ele foi elaborado a partir de inúmeras conversas entre alguns dos 42 presentes no encontro realizado no Hotel Maksoud Plaza em 8 de março último".

O próximo passo é o 1º Fórum da Mídia Livre que será realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de maio.

Rovai anuncia também para breve a divulgação de um saite para reunir assinaturas a favor do manifesto pela democratização da mídia no Brasil.
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domingo, 6 de abril de 2008

ODE A BRECHT
PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA

“Privatizaram sua vida, seu trabalho,
sua hora de amar e seu direito de pensar” (...)

E sua água, acrescenta ao poema de Bertolt Brecht a iniciativa privada de sentido público.

Como quem serve no prato de alimento ao faminto, no escuro da fome, o veneno da alma com resto de comida.

A metáfora levanta o véu das municipalizações da Corsan (Companhia Rio-grandense de Saneamento), manifestadas ultimamente por vários prefeitos gaúchos com astúcia e senso de oportunidade, ou melhor, cara de pau e oportunismo.

Isso você não vai ler, ouvir ou ver na imprensa golpista.

Grandes empreiteiras estão de olho no bem mais precioso do presente do futuro da humanidade, os mananciais de água das terras brasileiras.

Já reeditaram inclusive o sistema de capitanias hereditárias, dividiram o país e os estados em regiões.

Cada empreiteira ficou com sua parte do bolo.

O objetivo é privatizar o maior número de empresas públicas de abastecimento de água e saneamento.

Convencer governadores a privatizar as empresas estatais chamaria muita atenção.

Por isso, elas seguem a receita de Jack, o estripador.

Dividir o problema, multiplicar os resultados, somar os esforços e diminuir os riscos de escândalos e protestos populares.

A solução encontrada: comprar prefeitos com um seguro desemprego para corrupto nenhum botar defeito, isso no âmbito municipal, 500 mil reais limpos e livres de impostos, depositados pelo corruptor na conta que o corrompido escolher em qualquer paraíso ou inferninho fiscal.

O conglomerado de empreiteiras oferece inclusive o manual da privatização da água, do qual não consta nenhuma palavra que o denuncie como tal.

No manual também vem sugestão de projeto de lei e orientação de como negociar com vereadores para garantir sua aprovação, além de todo o processo licitatório como manda o figurino.

Seus lobistas e consultores sabem, como ninguém, apresentar esse tema, que começa com a municipalização, passa pelo plano de gestão integrada e termina com a casa pública debaixo da água da privada.

Para legitimar e dar ares de legalidade aos processos de gestão integrada da água, um grupo de empresas participa das licitações municipais, mas só a titular do setor tem o preço mais baixo.

As empresas que participam das licitações para inglês ver têm sua contrapartida nos territórios sob sua cidadania.

É o jogo das cartas marcadas pelo mercado.

No Rio Grande do Sul, o objeto do desejo desses corruptores e corruptos é a Corsan.

Já é de conhecimento público a onda de intenções de municipalizações que se levanta com manifestações de vários prefeitos gaúchos.

Resta saber se, durante a campanha eleitoral deste ano, a privatização da água vai fazer parte dos programas de governo e da propaganda política dos prefeitos candidatos à reeleição e dos vereadores candidatos a aprovar o projeto nas câmaras.

O projeto vai ser mostrado como é, privatização da água, ou vai fantasiado de municipalização?

“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual” (...)

Embora pareça habitual, trivial e singela a defesa dos interesses das populações dos municípios pelos prefeitos, é bom examinar o que está por trás das aparências, seguindo o conselho entre aspas acima.

A empreiteira que quer controlar a distribuição da água na região oeste do Rio Grande do Sul é uma Ode a Bretch.

Segundo o dicionário, “ode” é uma composição poética do gênero lírico em que se exaltam os atributos de homens ilustres, o amor e outros sentimentos.

Esta ode é uma homenagem aos sentimentos e pressentimentos do poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht.

Até porque nada melhor quem mergulha no poema concreto com um trocadilho infame como salva-vidas.
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quarta-feira, 26 de março de 2008

ALELUIA
LAURO RODRIGUES


Velho pampa lendário de outras eras,
onde se erguem lúgubres taperas,
tripudiando quais flâmulas de luto:
nessas tardes de junho, ao sol poente,
parece-me que sinto o que tu sentes
quando o silêncio do teu campo escuto...

A brisa nas carquejas do varzedo,
chorando, confessa que tens mêdo
de enfrentar esta miséria atroz...
E na tristeza sem fim dos corredores
vibram hinos de brados e clamores
contra as algemas da canalha algoz...

Mas não percebes, decrépito campeiro,
que as rondas do abutre carniceiro,
grasnam sobre ti funéreo agouro;
que és o braço do ¨Gigante¨ que mendiga
e ¨deitado em berço explêndido¨ se obriga
a pedir pão sob um dossel de ouro?...

Esquece as condições de teu presente!
Larga o trôpego andar do indigente
e relembra o que fostes em tempos idos...
Deixa a tua lança, adormecida e quieta!
A guerra é de doutrinas... Vem! Desperta
que os dias de porvir serão vividos...

Pois, pressinto na fome de meu filho
que um vulcão de revolta aclara o trilho
por onde segue a procissão dos pais...
Desperta Rio Grande! Chama o Brasil
antes que a voz da bôca de um fuzil
não lhe consinta despertar jamais...

Pobre Pátria de vinte e tantas zonas
que tem no seu ventre o Amazonas
e agoniza de fome nas cidades...
Zôo de macacos galhofeiros,
plagiando o viver dos estrangeiros
desde o Batismo à Universidade...

Tenho pena de ti, - senzala branca! -
dessa coletividade honesta e franca
que de tanto esperar já desespera...
Tuas vísceras são campos de imundícies,
onde o vírus malsão das canalhices
se robustece, cresce e prolifera...

Enquanto isso, cérebros raquíticos,
- sanguessugas de pântanos políticos! -
fomentam leis que não trescalam nada...
Mas não tarda que a aurora do futuro
tinja de escarlete o céu escuro
dos párias desta estância abandonada...

Nesse dia, meu pampa, os teus heróis,
ostentando nas mãos raios de sóis
e cavalgando fagulhas celestiais,
virão beber na fúria dos motins,
o sangue nutrido nos festins
dos que colheram sem semear jamais...

E, então, o marco de uma nova era,
surgirá num ermo de tapera
substituindo o pedestal de imbuia,
para que o povo todo num só grito,
possa bradar da Terra ao Infinito:
ALELUIA!...ALELUIA!...ALELUIA!...

POST POST

Aleluia é a expressão genuína da poesia gaúcha de raiz. Este poema foi publicado no livro Senzala Branca de um gigante acordado, mesmo morto, enquanto nosso tempo anda dormindo.

Lauro Rodrigues é uma das principais inspirações para o carteiro continuar sendo carteiro, sem a pretensão de ser poeta.

A obra dele fala por si e em qualquer tempo.

Não é necessário contar o porquê da sua invisibilidade na cultura nativa.

Porque outro poeta já disse:

- outra história vem que vai contar.

Bom proveito.
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NO BALANÇO DA HISTÓRIA
OS LARANJAS SE ACOMODAM


Apesar de todo o aparato tecnológico e semântico à disposição das grandes corporações da mídia, elas não conseguem enganar o olhar semiótico subliminar dos carteiros e dos poetas.

Especialmente quando a sirene anuncia mais uma desintegração de posse.

– Uoooooool...

Foi a cena que imaginei ao acessar o RS Urgente hoje. A guarda pretoriana invadindo a casa do Marco Weissheimer cheia de segundas intenções, anunciando a sentença.

– Acusado de combater o pensamento único da mídia e ser cúmplice de uma quadrilha de blogueiros revoltados com a concentração da liberdade de opinião, o condenado sem julgamento será extra-editado em outro provedor ou terá que prover a si próprio.

Depois lembrei que a idade média era outro tempo verbal.

Voltei e registro a última postagem do RS Urgente no UOL.

MUDANÇA DE ENDEREÇO

Acabo de receber uma mensagem do UOL comunicando que não tenho mais espaço para blogar e que teria que mudar meu plano de assinatura para fazê-lo. Sendo assim, sem mais delongas, estou migrando para novo endereço:

-
www.rsurgente.blogspot.com

A casa nova já está com as paredes erguidas, mas ainda sem mobília e decoração. Farei isso com o tempo. Então é isso: a partir de agora, o RS Urgente está no blogspot. Basta clicar AQUI para chegar lá.

Primeiro eles oferecem espaços gratuítos para amealharem acessos, venderem patrocínios e valorizarem suas marcas. E não percebemos o quanto somos inocentes úteis, verdadeiros laranjas ingênuos e inconscientes.

Depois eles fazem suas surubas capitalistas, se fundem ou incorporam uns aos outros, rodam a bolsa no mercado de capitais, promovem casamentos de interesses, masturbam investidores e nós não notamos que somos seus garotos de programa e propaganda.

Então, nossa independência começa a incomodar no balanço da história que promovemos com nossa liberdade e já não servimos mais porque o mercado teceu suas teias e garantiu suas presas com a nossa colaboração.

E não podemos mais deixar para depois o que já devíamos ter feito:

- Construir nossas próprias carroças, estradas, balanços, laranjas e blogues em potes.
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MÍDIA EM DEBATE
EM DEFESA DE UMA MÍDIA LIVRE


A mídia contemporânea, disse o escritor francês Paul Virilio, é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra. Os meios de comunicação vêm se concentrando, de forma brutal, no mundo inteiro, nas mãos de grandes empresas.

Marco Aurélio Weissheimer, na
Carta Maior (clique aqui).

O poder midiático no Brasil está concentrado nas mãos de um pequeno grupo de famílias e suas respectivas empresas, que dominam o sistema de produção e difusão de informações e detém a imensa maioria dos recursos de publicidade (públicos e privados). O maior grupo de comunicação do país, a Rede Globo, possui 227 veículos, entre próprios e afiliados. É o único dos grandes conglomerados que possui todos os tipos de mídia, a maioria dos principais grupos regionais e a única presente em todos os Estados brasileiros. Sozinha, a Globo controla mais da metade do mercado televisivo brasileiro. Segundo dados da Associação Nacional de Jornais, relativos ao período 2001-2003, apenas seis grupos empresariais concentram a propriedade de mais da metade da circulação diária de notícias impressas no país. Sozinhos, estes veículos respondem por cerca de 55,46% de toda produção diária dos jornais impressos.

Além do imenso poderio da Globo, outros seis grandes grupos regionais se destacam. A família Sirotsky comanda a Rede Brasil Sul de Comunicações, controlando o mercado midiático no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A família Jereissati está presente no Ceará e em Alagoas. A família Daou tem grande influência no Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. A mídia da Bahia pertence à família Magalhães. No Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, os negócios são controlados pela família Zahran. E, por fim, a família Câmara tem grande influência em Goiás, Distrito Federal e Tocantins. Em suas manifestações editoriais, todas essas empresas afirmam a independência como um valor que, supostamente, definiria seu trabalho. Independentes do quê e de quem, exatamente? Essa pergunta nunca é respondida. E não o é, porque a resposta mostraria que o rei está nu!

Qualquer menção à necessidade de democratizar esse cenário é rebatida fortemente por artigos e editoriais enfurecidos destes grupos hegemônicos. Quem defende a democratização da produção e do acesso à informação é imediatamente acusado de “autoritário” e “inimigo da liberdade de imprensa”. O poder das grandes corporações midiáticas é muito forte, estendendo-se também às escolas e universidades que formam os futuros profissionais da comunicação. A imensa maioria de quem se prepara para entrar no “mercado da comunicação” quer arrumar um emprego na Globo, na Folha de São Paulo, na Veja, no Estadão, na RBS, etc. Profissionais ligados direta ou indiretamente a essas empresas garimpam sistematicamente talentos nos bancos escolares. Os professores que procuram navegar contra a corrente são, o mais das vezes, taxados como excêntricos e confinados a guetos.

É importante ter em mente que esse não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. A realidade midiática mundial não é distinta. O escritor francês Paul Virilio, ao falar sobre o papel da mídia no mundo de hoje, definiu bem o tamanho do problema a ser enfrentado. A mídia contemporânea, disse Virilio, é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra. A justificativa para tal procedimento trafega entre o cinismo e a treva: uma vez afetada a liberdade de imprensa, todas as liberdades estarão em perigo. Cinismo, denuncia, porque esta reivindicação agressiva trata de negar o óbvio: os meios de divulgação e de formação de opinião vêm se concentrando, de forma brutal, no mundo inteiro, nas mãos de grandes empresas.

Mas há boas notícias neste cenário. Nos últimos anos, essa hegemonia de grandes grupos midiáticos começou a ser enfrentada por um crescente número de iniciativas. A internet tornou-se um espaço privilegiado dessas iniciativas, mas não o único. Os movimentos de Software Livre, de rádios comunitárias, de construção de redes de comunicação de movimentos sociais, de sites , blogs e publicações alternativas abriram brechas no bloco monopolista da grande mídia. Além disso, jornalistas que conheceram de perto o funcionamento desses grupos passaram a desenvolver um trabalho de exposição das entranhas da imprensa brasileira. O conjunto dessas iniciativas contribuiu para a acumulação de um inédito capital crítico sobre o poder dessas empresas. Um poder, importante assinalar, que segue muito forte.

No dia 8 de março, um grupo de jornalistas, professores universitários e profissionais da comunicação de várias regiões do país reuniu-se em São Paulo para debater essa realidade. Durante o encontro, consolidou-se a idéia de criar um espaço de encontro e articulação em nível nacional em torno da agenda da democratização dos meios de comunicação no Brasil; democratização da produção e do acesso à uma comunicação de qualidade. No dia 20 de março, foi a vez de Porto Alegre sediar um encontro da mesma natureza.

Um dos princípios básicos que norteou o debate nos dois encontros foi a necessidade de respeitar a diversidade que marca esse movimento, em duas diferentes expressões. Há aqueles que vêem a criação de uma mídia alternativa a que aí está como uma tarefa central. Outros preferem a denominação “independente” para qualificar o objetivo a ser buscado. E outros ainda preferem não se enquadrar em nenhuma dessas categorias.

Todos, porém, concordam com uma coisa: a criação de um espaço nacional de encontro, debates e articulação é muito importante para a superação e modificação do atual cenário midiático brasileiro, marcado por um crescente processo de concentração e de apropriação de bens e serviços públicos por uns poucos grandes grupos privados. A proposta é que esse movimento seja construído passo-a-passo, respeitando a opinião e as particularidades do trabalho de cada um, partindo dos pontos de acordo e visando convergências mais amplas.

Os movimentos articulados em torno do Fórum Social Mundial, como o Software Livre por exemplo, podem servir como inspiração. A defesa de uma comunicação de qualidade, como um bem público e um direito da população é um elemento que unifica a todos que enxergam, no modelo atual, um entrave ao aperfeiçoamento da democracia brasileira.

Falar de uma comunicação de qualidade, neste cenário, significa falar, entre outras coisas, em liberdade de criação, de difusão e de acesso. Significa compartilhar conhecimentos, práticas e iniciativas. As palavras “liberdades” e “compartilhamento” expressam, em boa medida, o que é sonegado hoje à maioria da população. Elas apontam para uma visão generosa de um mundo mais solidário, onde a comunicação, o diálogo com o próximo e a criatividade não são reduzidas à condição de mais uma mercadoria destinada a gerar lucro máximo a custo mínimo.

Esse é o espírito que anima a proposta de construção de um debate para o fortalecimento de uma mídia livre no Brasil, um espaço que propicie o encontro, o diálogo, a criação e a partilha de informações, práticas e experiências. Um espaço que, fundamentalmente, enxergue a comunicação como uma prática a serviço da verdade, da justiça e da liberdade.
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terça-feira, 25 de março de 2008

BANCADA GAÚCHA
HAVIA UM PEDRO NO CAMINHO

O observador do Bancada Gaúcha em Porto Alegre, Pedro Bomfim, caprichou no estilo e literalmente entregou o lixo devidamente reciclado aos leitores do blogue do Jota Charrua e sua tribo.

Parafraseando Sepé Tiaraju, o poeta disse que Pedro diz com todas as letras:

- E
sta terra tem dano!

Talvez seja o sinal de que as coisas estão mandando, ou melhor, mudando.

Bueno, vejam com seus próprios olhos.

CPI DO DETRAN
UMA BARBARIDADE!

Na CPI do Detran, aberta pela Assembléia Legislativa gaúcha, estamos assistindo a um imenso desfile, que só está começando - ainda não divulgaram os endereços dos apartamentos, quem mora e quem morou neles - de exemplos de como a ingenuidade e a inexperiência podem prejudicar a atuação de homens honestos no serviço público. E, assim, permitir que pessoas de má índole se aproveitem para meter a mão no dinheiro público, isto é, no meu e no seu bolso.

Vejam o caso do ingênuo ex-presidente do Detran do governo daquele homem pequeno e cordial que não fez nada, mas apaziguou os gaúchos. O coitado acabou preso só por assinar um contrato sem licitação com uma fundação que não tinha condições de fazer o trabalho para o qual foi contratada e que buscou a ajuda de outras empresas para realizar os serviços.

Tem que ficar bem claro que a responsabilidade dele terminou ai. Afinal, ele contratou a tal fundação e não tem nada mais a ver com o resto. Isto é evidente. Agora, se a tal fundação contratou a empresa da sua própria mulher, de outros parentes, do irmão do seu chefe e dos amigos da governadora, isto é problema desta fundação.

Só o que faltava era acharem que está errado a mulher dele trabalhar e pagar R$ 500 mil para ele dar uma ajeitada na cobertura onde mora com o dinheiro que ganhou no tal contrato com a tal fundação. Além do mais, é proibido mulher de dirigente de autarquia ter empresa? E esta empresa prestar serviço para fundações contratadas pela autarquia que o marido dirige? Onde está escrito? Ele está cheio de razão em dizer que estas coisas não lhe dizem respeito. Onde que se viu?

Depois dele, veio o novo jeito. Um jeito um tanto estranho, mas novo. Afinal, estava precisando dar uma mexida, claro. Então, o novo diretor do Detran, inexperiente, iniciante, com apenas 40 anos de serviço público, chegou e viu que tudo estava errado. Precipitado, ansioso para consertar as coisas, contratou outra fundação, antes de dispensar aquela, sem saber que as duas eram parentes, filhas da mesma mãe. Mas garante que só fez isto porque o bispo pediu, por um ato de caridade.

Naquele momento ele nem teve tempo de pensar que estava fazendo caridade com o meu e o seu dinheiro. O importante era ajudar. Um homem bom como não se encontra mais por ai. Sua única falha, ao meu ver, parece ter sido não atender aos amigos da governadora. Ai, levou um pontapé de um sapato alto, que lhe atingiu até a memória, a consciência, pois não lembra de mais nada.

Como o primeiro, ele também não sabia que a tal fundação, que ele contratou, repassou os serviços para a sua irmã mais velha, aquela mesma que não tinha condições de fazer o trabalho e contratara empresas da mulher, dos parentes, do irmão do seu patrão, dos amigos da governadora, etc. Mas ele fez isso só para evitar o caos. Para não prejudicar o serviço. Fez isto por ser um administrador previdente.

Mas no meio deste monte de gente boa, correta, eficiente, houve alguém que pecou terrivelmente. A Polícia Federal. Onde já se viu, acordar estes homens simples, lícitos, cidadãos comprometidos com a eficiência do Estado, daquela maneira, apontando armas para as suas cabeças? Desde quando é crime algumas pessoas, unidas, ganharem R$ 45 milhões com o trabalho nas suas empresas, que nada mais fizeram que tapar os buracos deixados pela ineficiência do Estado?

Uma barbaridade!

POST POST

Pegando carona no espírito da coisa que o Pedro Bomfim botou na roda, o carteiro e o poeta "cheidi catigoria" perguntam:

- Quem tem medo de altura só chuta rasteiro quando joga futebol soçaite na cobertura?

- Ou só fica na cobertura quando joga futebol soçaite rasteiro quem tem medo de altura?
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quarta-feira, 19 de março de 2008

QUEM SABE FAZ AURORA
NÃO ESPERA AMANHECER

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DALAI NA LAMA
QUEM É TENZIN GYATSU?


O Vermelho (clique aqui) responde em reportagem de Humberto Alencar.

Incensado pelo ocidente como uma figura impoluta, lutadora da paz e da não-violência, o dalai-lama, ou Tenzin Gyatso, está longe de merecer o epíteto de pacifista que a mídia ocidental lhe aplicou nos últimos 50 anos. Aliado há longa data do regime americano, e recentemente de Bush, o dalai-lama não é parte integrante das lutas dos povos pela democracia e a paz mundial.

Leitura obrigatória para quem, como eu, fica a ver navios quando um "Dalai Lama" ao invés de pregar que o planeta terra é uma só nação e a humanidade um só povo, prega justamente o confronto e o conflito pelas barrancas do Himalaia no ano das Olimpíadas de Pequim.
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LULA, CÂMERA, AÇÃO
O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO

Do Portal PTSul.

Em artigo publicado nesta terça-feira (18), o diário espanhol El País compara o crescimento da economia brasileira ao modelo asiático, afirmando que o Brasil fez uma “adaptação peculiar” do modelo asiático.

“No segundo mandato do presidente Lula se optou por uma política econômica que pretende compatibilizar a estabilidade com o relançamento do desenvolvimento e um forte impulso de investimento industrial”, afirma o artigo assinado por Alfredo Arahuetes, tido como um dos maiores especialistas da Espanha em investimentos na América Latina, e professor de Economia Internacional da Universidade Pontifícia Comillas de Madri.

O artigo destaca que no ano passado o Brasil renovou sua posição como décima economia do mundo, à frente da Rússia, Coréia do Sul e Índia, e que o país é a maior economia da América Latina e seu PIB representa pelo menos um terço do PIB da região.

“Como o Brasil chegou a ser uma economia tão destacada?”, pergunta o artigo. Arahuetes explica que o desenvolvimento industrial brasileiro iniciado nos anos 50 e a expansão do setor nos anos 60 e 70 contribuíram para que a economia brasileira crescesse a uma taxa anual média de 7,8%. “O crescimento durante este longo período se orientou para o mercado interno”, afirma o economista, que lembra que, na época, a economia “estava pouco aberta ao exterior”.

No fim dos anos 90 e início dos anos 2000, “o Brasil seguiu a dupla estratégia de ser global trader e promover maior integração com os países da América Latina. A estratégia deu seus frutos nos dois âmbitos”, diz o artigo.

O economista explica que, ao chegar à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva “apostou em uma prudente ortodoxia” com fins de reduzir a dívida pública. A desvalorização do real e a demanda internacional por matérias primas – graças ao crescimento econômico de países como a China e a Índia, impulsionaram as exportações brasileiras levando o país a retomar o crescimento.

“Ao mesmo tempo, o Brasil recuperou a capacidade de atrair investimento direto de empresas estrangeiras ao ponto de situar-se em segunda posição entre os países emergentes, atrás apenas da China”.

Isso deu origem a uma mudança na inserção do Brasil na economia internacional: “A inserção financeira deu origem à inserção comercial parecida com a seguida pelas economias asiáticas, fortalecida com a entrada de investimentos diretos”.

Com isso, o país quase triplicou o valor de suas exportações entre 2002 e 2007, obteve superávits comerciais e de conta corrente, e acumulou reservas no valor de 182 milhões de dólares ao fim do ano passado.

“No segundo mandato, iniciado há um ano, Lula mudou o rumo para uma ortodoxia prudente compatível com o relançamento do desenvolvimento. Quer dizer, estabilidade com forte impulso de investimento em setores industriais intensivos em capital e em infra-estruturas (com o PAC), com o dinamismo necessário tanto para um crescimento sustentável como para o fortalecimento da capacidade exportadora e a substituição das importações ao estilo das economias asiáticas”, além de promover a redução da pobreza e melhorias na distribuição de renda, afirma o economista.

O autor comenta o aumento da integração regional e conclui dizendo que “o Brasil parece apostar em intensificar a integração com os países da região mediante um esquema de geometria variável que permita o desenvolvimento da fábrica América Latina com alimentos, matérias primas e energia, uma adaptação particular da fábrica Ásia”.

Para ler o artigo em espanhol clique aqui.
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segunda-feira, 17 de março de 2008

CUSCO DA PROVÍNCIA
E SE FOSSE DINHEIRO PARA A MÍDIA?

Admiro o talento de alguns jornalistas que realizam verdadeiros prodígios bíblicos só para garantir o parco salário e o sorriso amarelo do patrão. Admiro porque fico imaginando o relevante serviço que prestariam em benefício da humanidade se usassem o mesmo talento com finalidades mais nobres.

Faltavam seis minutos para as sete da manhã de segunda-feira (17/3) quando o jornalista André Machado, um dos apresentadores do programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha AM, e blogueiro do grupo RBS, postou a ata da sua parcialidade ou uma biópsia da sua isenção. O coitado acreditou ter dominado as águas do mar vermelho da ética e libertado seu público alvo daquilo que acredita ser a escravidão democrática do Faraó de Garanhuns.

O problema é que tecnicamente o cidadão André mergulhou de cabeça na pia e deixou o jornalista Machado com a calça, a cueca e a ética arriadas numa posição contrangedora no vaso sanitário da própria soberba. Ainda por cima esqueceu de se olhar no espelho e saiu de casa com os neurônios despenteados.

O cusco da província pergunta, abanando o rabo preso.

- E se fosse no governo FHC? (clique aqui)

Seu ato contínuo revela que ainda há vestígios de autocrítica naquele corpo.

- Tente julgar sem o coração.

Aqui o texto decreta o fim da luta de classes e impõe sua ideologia. Afinal, o coração fica do lado esquerdo do peito, justamente o lado que deve ser excluído na análise. Mera coincidência?

“Imagine o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em um ano de eleições municipais autorizando um pagamento de R$ 30 por mês para jovens de 16 e 17 anos que estiverem estudando. Ainda mais sabendo que pessoas beneficiadas pelo Bolsa Escola nesta faixa etária são eleitores”, denuncia o assessorista de imprensa.

Sem usar o aparelho cardíaco, como pede a vítima da mais valia da RBS, ainda é possível questionar seus critérios.

Pouco depois, às 10h05min, deixei o comentário abaixo no blogue do empregado da RBS.

E SE FOSSE DINHEIRO PARA A MÍDIA?

A Prefeitura de São Borja deu para a RBS em 2007 R$ 70 mil para propaganda. Antes o valor repassado era a metade. O novo contrato previu pouca divulgação no ano em questão, mas previu ampla cobertura neste ano eleitoral, ou seja, o excedente vira propaganda sob diversas formas, inclusive suposto jornalismo, justamente em ano de eleições municipais.

Quer dizer que a RBS pooode, um milhão e 700 mil jovens excluídos não pooodem?

Ainda bem que a blogosfera acabou com o monólogo e eu posso dialogar com o defensor da liberdade de censura aos outros lados de quaisquer fatos.

Se fosse no governo FHC o assunto seria tratado por ele, André Machado, e pela mídia como um grande programa de governo, que estaria acima de questiúnculas eleitorais. Viraria apenas mais uma intriga da oposição.

Imagine o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de olho na própria reeleição, entregando o patrimônio público por algo em torno de 35 dólares, valor que a Globo pagou pela TV Paulista com o aval da ditadura.

Para imaginar o que vou contar agora não precisa nem sair do prédio na esquina da Ipiranga com a Erico Veríssimo, sede da RBS em Porto Alegre.

Imagine o Maurício Sirotsky Sobrinho conversando pelo telefone com o Antônio Delfim Netto, então ministro todo-poderoso da Fazenda da ditadura militar. Papo vai, papo vem e lá pelas tantas chega um aspone e entrega um bilhetinho enviado por um araponga infiltrado na redação do Correio do Povo.

- O negócio está feito, pode autorizar a maxidesvalorização do cruzeiro.

Bingo. A Caldas Júnior tinha acabado de contratar milhões de dólares em empréstimos internacionais para montar a TV2 Guaíba. E o Delfim virou sócio da RBS. Bingo, de novo.

Essas são algumas coisas que o coração não lembra porque está mais preocupado com a inclusão social e com o desenvolvimento sustentável da saúde pública.

“Agora o mundo real” do André Machado.

Imagine o governo Lula anunciando hoje, 17 de março de 2008, um programa de renovação automática de concessões de rádio e tv, oferecendo como bônus o bloqueio permanente da inclusão de novos canais de emissoras comerciais e comunitárias no espectro nacional. A não ser para os grupos já instalados.

Imagine o governo Lula ainda acenando com empréstimos de bilhões de dólares, a fundo perdido, para que as emissoras privadas de sentido público pudessem melhorar sua capacidade de manipular e controlar nossa identidade nacional.

Imagine mais, o governo Lula editando uma medida provisória abolindo as eleições pelos excessivos gastos a cada dois anos e instituindo as pesquisas de opinião, controladas pela mídia, como o mais novo e definitivo sufrágio eleitoral no Brasil.

Ganharia o prêmio "fazendo a diferença".

André, Machado em vara de bambu verde, se não for empunhado com precisão e competência se volta contra o lenhador e o estrago está feito.

POST POST

Originalmente havia escrito guaipeca na cartola. Nesta atualização, proporcionada pelo comentário do Jurandir Paulo, ginete (cavaleiro) do blogue Abunda Canalha (clique aqui), "criticando" essa mania de gaúcho acreditar que todo mundo vai entender o que ele diz, achei melhor o som de "cusco da província". Ambas são expressões típicas do Rio Grande do Sul e significam cão pequeno, cãozinho, vira-lata, sem raça definida.

A redução para cusco ou guaipeca é baseada na obra "A saga dos cães perdidos", de Ciro Marcondes Filho. Ciro a extraiu do romance "Cães da Província", do escritor gaúcho Luiz Antônio Assis Brasil, inspirado na louca vida do dramaturgo em tempo real Qorpo Santo.

Fica a dúvida se nessa redução o ideal é usar "cusco da província" ou "lobo-guará global", já que seu egossistema é a falta de ética dos jornalistas que se escondem na técnica do assessorismo de imprensa da ideologia de quem lhes alcança o soldo, agindo como verdadeiros soldados cujas armas mais letais são as palavras engolidas.

Deve ser por isso que o PUM (Pensamento Único da Mídia) do PIG (Partido da Imprensa Golpista) tem cheiro de lagoa de decantação de dejetos da realidade.

Atualizado às 14h39min de terça-feira, 18 de março de 2008.
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